Filhos Órfãos de Pais Presentes: O Novo Desafio Emocional Entre Famílias Migrantes

Quando os pais estão ausentes física ou emocionalmente, crianças e adolescentes podem se sentir sozinhos, inseguros ou confusos.

Por Milton Capón Bermeo

A vida das famílias migrantes em Connecticut é marcada pela busca constante por um futuro melhor. Muitas vezes, esse esforço se traduz em longas jornadas de trabalho, múltiplos empregos ou turnos noturnos que, embora ajudem a cobrir as necessidades básicas, deixam os filhos com pouca presença dos pais. Essa realidade, tão comum em nossa comunidade, acarreta desafios significativos para a saúde mental de todos os membros do lar.

Quando os pais estão ausentes física ou emocionalmente, crianças e adolescentes podem se sentir sozinhos, inseguros ou confusos. Em Connecticut, após a pandemia, os casos de ansiedade e depressão infantis aumentaram notavelmente. O Instituto de Saúde e Desenvolvimento Infantil de Connecticut (Connecticut Institute for Health and Development – CHDI) observa que o estresse parental e a falta de vínculos afetivos tornaram-se fatores de risco fundamentais para o bem-estar emocional das crianças.

É fácil pensar que mudanças de comportamento são simplesmente “rebeldias” próprias da idade, mas, por trás de uma criança que grita, se isola, apresenta queda no desempenho escolar ou tem birras constantes, pode haver tristeza, medo ou um pedido de atenção. Detectar esses sinais precocemente é essencial para evitar que os problemas se aprofundem.

Não se trata de ser pais perfeitos, mas de ser pais presentes. A saúde mental das crianças é construída todos os dias por meio de rotinas, palavras, gestos de afeto e atenção. Mesmo quando o tempo juntos é limitado, o que mais importa é a sua qualidade: uma refeição em família sem distrações, uma conversa antes de dormir ou perguntar sinceramente como eles se sentem. Esses pequenos momentos podem fazer uma grande diferença. A seguir, algumas recomendações para melhorar a relação entre pais e filhos:

  • Estabeleça rotinas: As crianças precisam de consistência para se sentirem seguras. Um horário para refeições, descanso e estudo ajuda a criar estabilidade.
    Ouça sem julgamento: Permita que seus filhos expressem o que sentem, mesmo que às vezes você não compreenda ou não compartilhe dessas emoções.
    Participe de atividades juntos: Brinquem, façam caminhadas. Não é necessário gastar dinheiro; o que importa é compartilhar e se conectar.
    Limite o uso de telas: Incentive a interação presencial em vez de permitir que os dispositivos preencham o vazio da ausência parental.
    Reconheça seus próprios limites: Se sentir que não consegue dar conta de tudo, procure ajuda.

A comunidade dispõe de recursos valiosos: igrejas, centros comunitários e grupos de apoio a pais. Recorrer a esses espaços pode oferecer orientação, apoio e ferramentas para enfrentar os desafios do dia a dia.

Cuidar da saúde emocional das crianças hoje é um investimento inestimável, pois estabelece as bases para formar adultos fortes e resilientes, preparando-os para enfrentar os desafios da vida com maior segurança e confiança. A presença, o afeto e o apoio da família são elementos essenciais que não apenas previnem o desenvolvimento de problemas emocionais, mas também contribuem diretamente para a construção de lares mais felizes e comunidades mais saudáveis.

Milton Capón Bermeo é psicólogo clínico com 18 anos de experiência no Equador nas áreas de atenção clínica, saúde pública e políticas sociais, estudante da turma PLTI Danbury 2024 e cofundador da Comunidade Migrante ABYA YALA. Para contatá-lo, ligue para (203) 809-0603.