A Prisão Invisível: Como o Julgamento e as Expectativas da Sociedade Mantêm Mães em Relacionamentos Abusivos
"É muita pressão ser vista como a pessoa forte. Eu não queria que pensassem que eu era fraca ou incapaz."
Ao longo de 23 entrevistas aprofundadas, ouvi mães compartilharem aspectos da maternidade que raramente aparecem nas redes sociais ou fazem parte das conversas do dia a dia. Elas falaram sobre a pressão de aparentar que têm tudo sob controle, o medo de serem julgadas e a expectativa exaustiva de que uma "boa mãe" deve ser sempre forte, altruísta e capaz.
Muitas mães se sentem presas a expectativas que nunca escolheram. Eu chamo isso de prisão invisível.
Não se trata de uma prisão de verdade. É o peso de sentir que você precisa parecer perfeita o tempo todo. É preocupar-se com o que sua família vai pensar se o casamento chegar ao fim. É imaginar como outras mães irão julgar a sua forma de criar os filhos. É acreditar que pedir ajuda, de alguma forma, faz de você uma mãe ruim.
A prisão invisível é construída pela sociedade, mas, com o tempo, muitas mães acabam erguendo essas paredes por conta própria.
Hoje, a maternidade é mais pública do que nunca. As redes sociais nos dão um lugar na primeira fila para acompanhar a vida dos outros — ou, pelo menos, a versão que eles escolhem mostrar. Fotos de famílias perfeitas, pijamas combinando nas festas de fim de ano, lancheiras cuidadosamente preparadas, casas impecáveis e crianças sempre sorrindo inundam nossas telas todos os dias. É fácil começar a acreditar que todas as outras mães descobriram a fórmula da maternidade perfeita. A realidade, porém, é muito diferente. Por trás dessas imagens, existem mães exaustas, sobrecarregadas, ansiosas, solitárias ou enfrentando dificuldades em silêncio.
Com o tempo, muitas mães deixam de se perguntar o que é mais saudável para sua família e passam a se perguntar: o que os outros vão pensar? Essa pergunta pode se tornar especialmente perigosa quando há violência dentro do relacionamento. Muitas pessoas se perguntam por que alguém permanece em uma relação abusiva. Essa é uma pergunta que sobreviventes ouvem com muita frequência. Mas, para uma mãe, sair nem sempre significa apenas deixar o parceiro. Significa abrir mão da vida que ela imaginou para seus filhos. Significa preocupar-se em ser culpada pelo fim do casamento, temer ser vista como um fracasso ou sentir que terá de explicar por que não conseguiu manter a família unida.
Durante gerações, fomos ensinados a acreditar que as crianças precisam crescer em um lar com dois pais para se desenvolver plenamente. Embora famílias saudáveis e acolhedoras, com dois responsáveis, possam beneficiar as crianças, simplesmente haver dois pais vivendo sob o mesmo teto não garante um ambiente seguro e amoroso. Quando existe violência, essa realidade muda completamente. As crianças não precisam da aparência de uma família perfeita. Elas precisam de segurança, estabilidade e de adultos que sejam exemplos de relacionamentos saudáveis.
A prisão invisível diz às mães que sacrificar a si mesmas faz delas boas mães, que permanecer no relacionamento prova seu amor e que proteger a imagem da família é mais importante do que proteger a si mesmas e seus filhos.
Mas e se estivermos definindo a força da maneira errada?
Talvez força não seja permanecer até não restar mais nada de você.
Talvez força seja mostrar aos seus filhos que o amor nunca deve fazer você viver com medo.
É hora de deixar de medir as mães por padrões impossíveis e começar a apoiá-las na escolha da segurança, da cura e da liberdade.
No Center for Empowerment & Education, oferecemos apoio a pessoas que vivenciam violência doméstica e/ou violência sexual. Você não está sozinho(a)! Nossos serviços são gratuitos, confidenciais, multilíngues e estão disponíveis 24 horas por dia, 7 dias por semana. Se você ou alguém que conhece precisa de ajuda, entre em contato:
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