Prisões do ICE em Danbury: O Que as Famílias Precisam Saber
Enquanto milhares de estudantes de Danbury voltavam às salas de aula, prisões realizadas por agentes federais de imigração perto de pontos de ônibus escolares, uma creche e uma escola de ensino fundamental transformaram o início do ano letivo em um período de medo para muitas famílias.
Alguns pais ficaram com medo de sair de casa ou acompanhar os filhos até os pontos de ônibus. Segundo relatos, crianças presenciaram pais e outros membros da comunidade sendo detidos. As Escolas Públicas de Danbury adotaram um novo procedimento de segurança para estudantes cujos pontos de ônibus possam ser afetados por operações policiais.
As prisões começaram em 24 de agosto, um dia antes do início das aulas, e continuaram em várias áreas de Danbury por pelo menos quatro dias. Agentes federais foram vistos no Kennedy Park, em estabelecimentos comerciais, ruas residenciais e locais frequentados por crianças e famílias.
Até 28 de agosto, a Danbury Unites for Immigrants estimava que pelo menos 62 pessoas haviam sido detidas. O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) não confirmou esse número, não identificou os detidos nem anunciou um nome ou objetivo para a operação.
Em declaração fornecida ao Patch, o ICE informou que não discutiria operações policiais por questões de segurança dos agentes e da própria operação. A agência afirmou que pessoas que violam a lei enfrentariam consequências, mas não explicou se os agentes procuravam indivíduos específicos ou abordavam pessoas encontradas em locais públicos.
Crianças e Escolas Afetadas
A Danbury Unites for Immigrants informou que três pais foram detidos perto de um ponto de ônibus escolar em 26 de agosto, incluindo um deles pouco depois de colocar o filho no ônibus. A organização também recebeu relatos de veículos do ICE circulando perto de pontos de ônibus e retornando no horário em que os alunos desembarcavam à tarde.
No programa “State of the Union”, da CNN, o coordenador de fronteira Tom Homan disse não ter conhecimento de prisões em pontos de ônibus escolares de Danbury e afirmou que o ICE não segue mais a antiga política de “locais sensíveis”.
Clementina Lunar, voluntária que atendia a linha de apoio da organização, disse ter conversado com uma família cuja criança viu a movimentação do ICE de dentro de um ônibus escolar. Ela também conversou com um membro da comunidade que relatou ter visto um pai ser detido após deixar o filho aos cuidados de um assistente do ônibus escolar.
Em uma coletiva de imprensa realizada em 26 de agosto no Kennedy Park, o prefeito Roberto Alves mencionou relatos de prisões perto de pontos de ônibus, uma creche, uma escola de ensino fundamental e o supermercado C-Town. Ele questionou se os horários e locais haviam sido escolhidos intencionalmente.
A superintendente Dra. Kara Casimiro reconheceu o medo em uma carta às famílias.
"Sabemos que alguns pais têm medo de sair de casa, medo de acompanhar o filho até o ponto de ônibus, medo do que pode acontecer enquanto o filho está na escola", escreveu Casimiro, segundo a WFSB.
O distrito lembrou às famílias que o status imigratório não afeta o direito da criança de frequentar a escola. Orientadores escolares e outros recursos foram disponibilizados.
Pelo novo procedimento de segurança, motoristas não permitirão que os alunos desçam do ônibus se houver atividade policial significativa ou outra emergência no ponto. Os estudantes serão levados de volta à escola, onde funcionários os receberão e entrarão em contato com os pais.
A deputada federal Jahana Hayes orientou os pais a atualizar os contatos de emergência dos filhos e indicar um adulto de confiança que possa buscá-los caso um dos pais seja detido. Ela também recomendou que as famílias preencham antecipadamente um formulário de autorização para divulgação de informações junto ao seu gabinete, permitindo que a equipe do Congresso preste assistência mais rapidamente em caso de detenção.
Perguntas sobre a Operação em Danbury
Vídeos e relatos de testemunhas mostraram agentes federais operando em veículos sem identificação, muitos deles usando máscaras. Houve relatos de prisões no Kennedy Park, onde trabalhadores se reúnem em busca de emprego, além de áreas comerciais e residenciais.
Também surgiram questionamentos sobre o uso da força pelos agentes. Um homem foi hospitalizado depois que um agente do ICE usou uma arma de choque Taser durante uma prisão em 27 de agosto, segundo o Patch.
Taylor O'Brien, chefe de gabinete de Alves, disse ao Patch que o ICE ligou para o 911 por volta das 6h45 para informar que um homem havia recebido uma descarga de Taser e precisava de atendimento médico. Uma ambulância municipal o levou ao Danbury Hospital, de onde recebeu alta ainda naquela manhã.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou que o homem resistiu fisicamente à prisão, tentou alcançar um canivete e não obedeceu às ordens dos agentes durante o que classificou como uma "operação direcionada de fiscalização migratória”. O DHS também afirmou que ele portava um cartão de residente permanente falsificado e um cartão falso do Social Security. A agência não o identificou.
Segundo o DHS, os agentes deram vários avisos antes de usar a força. Alves classificou o incidente como profundamente preocupante e pediu mais informações sobre o que ocorreu e por que aquele nível de força foi empregado.
Na coletiva de 26 de agosto, Alves, o governador Ned Lamont, o senador federal Chris Murphy, Hayes e outras autoridades exigiram informações sobre quem havia sido detido, por que essas pessoas foram selecionadas e por quanto tempo a operação continuaria.
Alves afirmou que a polícia de Danbury não participava da aplicação federal das leis civis de imigração. Ele incentivou os moradores a continuar recorrendo à polícia local e aos serviços de emergência quando precisarem de ajuda, independentemente do status imigratório.
Parte de um Aumento Nacional
A operação em Danbury ocorreu durante um aumento nacional da fiscalização imigratória.
O ICE prendeu 49.571 pessoas em todo o país em julho, o maior número mensal registrado desde pelo menos outubro de 2022, segundo dados do governo obtidos pelo Deportation Data Project e analisados pelo The Guardian. O total foi 15% superior ao recorde anterior, registrado em junho.
O The Guardian constatou que 51% dos presos em julho não tinham condenações criminais nem acusações criminais pendentes.
Esses números nacionais não determinam o histórico das pessoas detidas em Danbury. O ICE não divulgou informações suficientes para que o Tribuna pudesse examinar de forma independente seus antecedentes criminais ou históricos imigratórios.
Advogados Respondem
A advogada de imigração Celina Curillo viajou várias vezes a Hartford enquanto advogados voluntários atendiam casos de pessoas detidas em Danbury.
"O que tenho visto é que muitas das pessoas detidas em Danbury não tinham antecedentes criminais", disse Curillo ao Tribuna.
Curillo atua na The American Immigrant Legal Clinic, conhecida como TAILC. A organização sem fins lucrativos de Connecticut oferece representação jurídica gratuita a imigrantes de baixa renda detidos no estado.
"Somos uma equipe de advogados voluntários", disse Curillo. "Doamos nosso tempo porque nos importamos."
Segundo Curillo, responder a uma detenção exige uma equipe coordenada. Enquanto alguns advogados preparavam documentos judiciais, ela e outros membros da equipe viajavam a Hartford para se reunir com os detidos. A equipe que permanecia no escritório reunia registros e preparava os documentos necessários para cada caso.
As famílias devem fornecer imediatamente ao advogado o nome legal completo da pessoa detida, nomes alternativos, data e país de nascimento, número A, se disponível, documentos de identificação e data, horário e local da detenção. Também devem apresentar notificações de imigração, ordens de remoção, vistos, comprovantes de solicitações e outros registros imigratórios.
Qualquer histórico criminal deve ser informado, inclusive processos arquivados, sob sigilo ou resolvidos anos atrás. Certidões judiciais sobre o resultado dos processos devem ser fornecidas quando disponíveis. Os advogados também precisam de informações sobre parentes próximos nos Estados Unidos, especialmente aqueles que são cidadãos americanos.
Informações médicas são especialmente importantes, disse Curillo. As famílias devem preparar uma lista de diagnósticos, medicamentos, dosagens, médicos, farmácias, tratamentos atuais e necessidades relacionadas a deficiências. Uma pessoa de confiança deve ser escolhida como principal contato da família e do advogado.
Curillo alertou as famílias para confirmar se qualquer pessoa que ofereça assistência jurídica é um advogado devidamente licenciado. Antes de pagar, peça o nome completo da pessoa, o estado onde possui licença para exercer a advocacia e um contrato de honorários por escrito. Cartão de visita, anúncio ou página em rede social não comprovam que alguém seja advogado.
"Não recorram a notários nem a preparadores de documentos", disse ela. "O mais importante é procurar orientação de um advogado de imigração de boa reputação."
Onde Encontrar Ajuda
Famílias que buscam ajuda após uma detenção podem ligar para a Danbury Unites for Immigrants pelo telefone 475-237-7351, das 6h às 18h, sete dias por semana. Recursos e informações para voluntários estão disponíveis em linktr.ee/DUFI. Doações para apoiar as famílias afetadas podem ser feitas em bit.ly/DonateDUFI.
Informações sobre representação gratuita pela TAILC estão disponíveis em tailcproject.org.
Famílias que buscam ajuda gratuita para elaborar um plano de preparação podem ligar para a linha multilíngue de agendamento da The New American Dream Foundation pelo telefone 475-296-3559, disponível 24 horas por dia. Solicite uma avaliação de necessidades ou um atendimento para preparação familiar no New American Dream Center. A assistência gratuita é oferecida no idioma nativo da família. Acesse thenewamericandreamfoundation.org/center.
Fontes: reportagem do Tribuna; Gabinete do Governador Ned Lamont; Escolas Públicas de Danbury; Danbury Unites for Immigrants; WFSB; Patch; The Connecticut Mirror; The Guardian; e dados governamentais processados pelo Deportation Data Project.