Voltando Pra Casa: O Outro Lado da Imigração capítulo 3
A história de Mariza da Silva Leandro, de 48 anos, comerciante, é marcada por uma mudança brusca de planos. Depois de viver por pouco mais de quatro anos nos Estados Unidos, a brasileira foi detida durante um procedimento migratório e retornou ao Brasil. Ela conta que chegou a passar oito dias em uma prisão federal antes de ser transferida para outras unidades. Hoje, de volta a Divino das Laranjeiras, em Minas Gerais, tenta reconstruir a rotina enquanto mantém a esperança de voltar ao país onde deixou parte da família e o marido, que está em tratamento contra o câncer.
Mariza conta que estava em processo de asilo e precisava comparecer periodicamente ao escritório do Immigration and Customs Enforcement (ICE), agência federal responsável pela fiscalização das leis de imigração nos Estados Unidos. Ela se apresentou três vezes no escritório de Burlington, Massachusetts. O local faz parte da estrutura do Boston Field Office do Enforcement and Removal Operations (ERO), divisão do ICE responsável por fiscalização, custódia e remoção de imigrantes na região.
Segundo Mariza, nas primeiras apresentações recebeu novos períodos de permanência. Na última, porém, a situação mudou: ela foi presa e encaminhada para uma unidade federal.
“Eu não tinha corte, só fazia imigração, voltava, dava endereço. A primeira vez eles me deram dois anos de permanência; na segunda vez, mais dois anos. Na penúltima, me concederam mais um ano e depois me prenderam. Me disseram que eu estava sendo presa pelos Estados Unidos da América e que eu não poderia ficar mais no país”, relata.
Mariza afirma que passou oito dias detida. Segundo ela, a experiência foi difícil, principalmente pelas condições encontradas durante as transferências.
“Depois eu fui levada para o Texas, passei uma noite lá, no chão, com coberta suja, cheia de pulga e sem comida. Para mim, essa foi a pior parte”, conta.
Na sequência, a brasileira foi encaminhada para a Louisiana, onde permaneceu por cerca de três meses. Durante esse período, precisou contratar um advogado para tentar permanecer nos Estados Unidos.
“Precisei pagar advogado, mas não adiantou. O juiz disse que eu não poderia mais ficar nos Estados Unidos”, afirma.
Mariza acabou assinando uma saída voluntária. Ela relata ter recebido US$ 2.600 por meio de um programa americano de autodeportação. O retorno aconteceu pelo Aeroporto Internacional de Alexandria, na Louisiana, de onde seguiu para o Brasil, com destino final a Belo Horizonte. Ao chegar, afirma que teve as malas roubadas.
Nos Estados Unidos, ficaram o marido, que enfrenta tratamento contra o câncer, e o sonho de permanecer no país. Agora, em Minas Gerais, ela ajuda a mãe em um pequeno comércio de quitandas no distrito de Macedônia, em Divino das Laranjeiras.
“A gente montou esse pontinho aqui e minha mãe continuou aqui no Brasil enquanto eu morava fora. Eu estou ajudando no momento e estou gostando da nova experiência, trabalhar com biscoitos, queijos, coisas artesanais, da roça, tudo focando mais no artesanato da roça, só voltado para nossa origem, para nossa raiz mineira”, comenta.
Enquanto tenta se adaptar à nova rotina, Mariza mantém a esperança de retornar aos Estados Unidos para cuidar do marido.
“Estados Unidos é isso: para você conseguir, tem que focar, trabalhar muito. O conselho que eu dou é focar, voltar para o Brasil e trabalhar por conta própria. É o melhor que tem”, finaliza.
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